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  • Advocacia Pollet Anne

O QUE É CIDADANIA EMPRESARIAL E QUAIS OS VALORES ESTÃO ENVOLVIDOS NO PROCESSO?

Atualizado: 29 de jan.




O termo “Cidadania Empresarial” empregado no livro Liderança para um Mundo Melhor, dos autores Dalai Lama e Laurens Muyzenberg, trata-se do que chamamos de Sustentabilidade, palavra a qual virou clichê de discursos em palestras, workshops e estampado nas publicidades empresariais do país, contudo, quase ninguém consegue explicar o que quer dizer ao certo, pois na prática “sustentabilidade” virou parte do discurso, mas não parte central do programa de implementação, o que a torna apenas um conceito vago de algo importante.

Cidadania empresarial no conceito trazido por Dalai Lama é algo que tem mais valor, é um princípio de que uma empresa deve agir como um membro responsável da sociedade, exatamente como todos os cidadãos.

Observa-se que agir de forma correta é um processo em que se construí paulatinamente uma cultura voltada para boas práticas. Por isso, a importância de uma liderança voltada para influenciar pessoas positivamente a seguir esse modelo, uma liderança centrada em gerar riquezas não somente patrimonial, o lucro não deve ser o objetivo, mas a capacidade de satisfação do cliente com os resultados da sua empresa, o lucro deve ser consequência da solidez dos seus princípios e valores.

Um exemplo prático é um grande amigo que tenho, o qual é empresário um dos sócios proprietários da Brasol Energia Solar. Descendente de japonês, com uma boa educação e uma grande inteligência social e emocional, apresentando um perfil de liderança serena, com empatia e generosidade.

Sua empresa embora de pequeno porte cresceu consideravelmente nos últimos anos em questão de estrutura, capital e pessoas. Contudo, o diferencial é que a postura da sua empresa é não manter uma concorrência desleal. O preço de seus produtos são mais altos em comparação com o mercado, pois um dos valores da empresa são: cumprir com a palavra e ser transparente na negociação. A qualidade, confiabilidade e a garantia do serviço acabada tornando os preços menos competitivos no mercado em razão das empresas emergentes estarem preocupadas em vender a qualquer custo.

Todavia, esse posicionamento de não colocar a empresa em situações de não cumprir o esperado pelo cliente para poder vender, trás maior solidez dos valores da empresa.

O conceito é simples, o cliente até paga mais barato em outras concorrências emergentes. Contudo, ao perceberem que a entrega prometida, não são compatíveis ou exequíveis com os termos do contrato, isso leva a conflitos judiciais e a prejuízo a estas concorrências emergentes, bem como ao risco de rescisão contratual. No final, o cliente acaba retornando a empresa mais sólida pagando mais caro para poder arrumar um serviço já feito. É nítido que resolver o problema do cliente com responsabilidade torna a empresa mais valiosa, mais sólida.

Daí a importância das empresas de pequeno porte ou microempresários de começar a entender o que é um programa de integridade ou compliance. A buscar a entender qual a importância de no início de uma empresa estabelecer uma conduta ética e de valores enraizado na cultura organizacional da empresa.

A importância de liderar pelo respeito, mantendo a coerência entre pensamento, os princípios que diz ter e as ações e decisão tomadas pela empresa.

A imagem da empresa é o acúmulo de todos os seus atos até agora, assim, suas boas ações a torna boa e confiável e suas más ações a torna desvalorizada. Uma empresa dirigida por pessoas com a liderança correta deve fazer a sua escolha inicial e verifica o resultado, se não houver dano, deve seguir, caso haja, deve usar a sua criatividade para encontrar outra solução. O dano inevitável deve ser justificado, de forma que as pessoas dentro e fora da equipe considerem sua decisão justa.

Uma decisão que causa dano a outrem ou ao meio ambiente deve ser permitida ouvir as pessoas afetadas e comunicar a lógica por trás do que decidiu.

As ações de cidadania empresarial devem ser íntegras, de natureza ética, consciência de uma visão correta e mente treinada. A inação pode ser, em si mesma, um ato indigno, quando, o não fazer nada, gerar sofrimento. A autoconfiança é construída pela tomada sensata de decisão, considerando todos os fatores.

As pessoas que trabalham na empresa do mais alto escalão ao mais baixo, devem ser incentivadas a seguir o código de conduta estabelecido, sendo entre estes valores a solicitude e a concentração, as quais eliminam a distração, o descuido, a irreflexão e o esquecimento, pois dar plena atenção ao outro, não é apenas um gesto de cortesia, mas também ético ou virtuoso, gera uma sensação de importância e confiança a quem fala.

Outro ponto importante presentes na obra é a aplicação das seis perfeições budistas na cultura e nos valores da empresa, de forma a ser expresso em:

Generosidade - é preciso considerar o outro no processo do sucesso, devendo ser usada com sabedoria para considerar os efeitos a curto e em longo prazo;

A disciplina ética - governar primeiro a si mesmo, ter controle de nossas ambições e sentimentos negativos;

Paciência justificada - manter a calma, diante de situação provocadora, mas levando em conta a necessidade de ações imediatas;

Esforço entusiasmo - a importância dos objetivos que se almeja e a motivação para chegar ao resultado;

Sabedoria - enxergar as coisas como realmente são e de saber que nada é permanente e tudo está interdependente.

Assim, há habilidades que caracterizam os bons líderes podem serem listada em: maior capacidade de lidar com crises; melhor tomada de decisões; melhor relacionamento com a equipe; menos reuniões e melhor implementação das decisões, pela simples atenção o que outro sugere e dedicação exclusiva a cada problema; maior criatividade, deixe de lado a ambição do lucro e concentre no que é melhor para o cliente, lucro é consequência; alto nível de entusiasmo com o trabalho.

É preciso trabalhar os fatores mentais virtuosos e nocivos: a humildade elimina o orgulho injustificado, a autoestima exagerada, a presunção e a arrogância - não se pode esquecer que seu sucesso depende de muitas outras pessoas; a consideração e o interesse ativo pelo bem-estar alheio eliminam a falta de consideração, a mesquinhez e os danos causados aos outros; equanimidade é ter serenidade de espírito e é um fator mental importantíssimo; eliminar a ânsia de poder, riqueza e fama, pois quem não poder controlar suas ânsias torna-se escravo desse sentimento nocivo; elimina a tristeza ou a preocupação quando os objetivos não são alcançados ou quando se sofre uma decepção, a preocupação é um desperdício de energia; elimina também o ódio, a raiva, a ira, o ressentimento, o rancor, a inveja e o ciúme; o sentimento de vergonha, pessoas cometem erros, é inevitável, leva a uma ação corretiva, a falta de vergonha é desprovida de padrões morais mínimos, a culpa é algo permanente, deste ponto, nocivo; a bondade elimina a indiferença, a hostilidade, a irritabilidade, o mau humor e a antipatia; o vigor substitui o embotamento mental ou a preguiça; a receptividade e a mente aberta eliminam o fanatismo e a confiança cega, o administrador deve inspirar confiança nos objetivos da companhia e se certificar de que os valores da empresa sejam respeitados por todos.

A melhor maneira de um dirigente administrar a sua empresa é, em primeiro lugar, governar a si mesmo. É preciso ter dois conceitos: a visão correta e a conduta correta. Um líder mantém a mente serena, lúcida e concentrada, uma mente conturbada por pensamentos e sentimentos negativos leva a percepção equivocada da realidade.

Aperfeiçoar a mente é levar em conta o bem-estar do eu e dos outros. É preciso se ater a três aspectos da realidade: não existe nada que seja permanente, tudo muda; não existe nada que seja independente; não existe nada sem uma causa.

Por isso, a importância de se manter uma mente vigilante, ser capaz de perceber quando um sentimento negativo começa a influenciar os pensamentos, e também a capacidade de impedi-los que o dominem. Assim, nem um líder é capaz de antever todos os efeitos originados por seus atos, mas aquele que tem a visão correta e são diligentes sobre os efeitos de suas decisões cometem menos erros.

É tarefa de um líder criar uma instituição de coração forte e caloroso e ver as coisas como realmente são. A liderança deve inspirar a tomada de decisões conjunta, gerando confiança; confiança na compreensão comum, na probabilidade de sucesso final, na plena satisfação das motivações pessoais, na integridade dos líderes, na superioridade do objetivo comum da instituição como uma meta pessoal de seus membros . A boa liderança é a capacidade de esclarecer os propósitos da organização, as pessoas precisam conhecer o propósito daquilo que fazem. É definir os valores ou princípios a que a direção e os servidores deverão aderir ao agirem ou tomarem decisões. Cabe claramente aos líderes fomentar a confiança nesse tipo de declaração e agir de acordo com ela.

Mas como estabelecer os princípios e os valores da empresa? Princípios e valores devem ser expressos conforme as particularidades de seu negócio, contudo devem ser escritos da seguinte forma: ser claros e fáceis de entender pelos empregados, colaboradores, clientes e pela sociedade; atraentes para as pessoas que trabalham na empresa; ajudar as pessoas a tomarem decisões responsáveis; ser significativos em culturas diferentes.

Exemplo princípios para uma empresa que preza pelo seu produto e não busca apenas o lucro:

a) Esperamos que todos os nossos servidores ajam com honestidade, integridade, imparcialidade;

b) Ajudaremos as pessoas do mundo a terem uma vida mais plena; aceitaremos a responsabilidade de nos engajarmos na comunidade e investiremos na sociedade de um modo que utilize os nossos recursos de maneira eficaz, incluindo o apoio a organizações beneficente;

c) Temos um compromisso com práticas empresariais sustentáveis e com a proteção do meio ambiente;

d) Nossos clientes optaram por confiar em nós. Em troca, devemos nos esforçar por prever e compreender suas necessidades e por deleitá-los com nossos serviços.

Por isso, esses princípio e valores devem serem escritos ou acompanhados pelos gestores da empresa, de forma a ouvi-los e entender as particularidade do negócio e aproveitar o que culturalmente na empresa é importante e ajustar àquilo que precisa ser mais transparente, ético ou disciplinado.

Nesse processo as tarefas dos lideres da empresa são: esclarecer objetivos, definir valores, gerar confiança e tomar decisões corretas. Liderar é correr riscos, é preciso coragem para lidar com toda a demanda. Uma técnica para melhorar as decisões é discutir em conjunto com o alto escalão, prós e contras, mas somente decidir no dia seguinte.

Outro ponto importante na empresa é o líder possuir ou buscar os sete traços de caráter da pessoa ideal, bem como encorajar e treinar seus subordinados para que adquiram esses traços, de forma a preparar sucessores dentro da empresa: os líderes têm consciência dos deveres e responsabilidades, estar aptos a identificar as causas dos problemas e os princípios a serem aplicados para resolvê-los; compreender a tarefa que empreende e as razões por trás de seus atos; saber dos pontos fortes, do conhecimento, das aptidões, das habilidades e das virtudes que possuem e a capacidade de se corrigir e se aprimorar; os líderes são moderados na fala, no trabalho e na ação, fazendo tudo com a compreensão dos objetivos e dos benefícios reais esperados; o líder conhece a ocasião apropriada e a quantidade adequada de tempo para agir e lidar com outras pessoas, planeja o próprio tempo e o organiza com eficiência; os líderes sabem que as pessoas que integram a empresa têm normas e regulamentos, têm uma cultura e tradições, têm necessidade que devem ser reconhecidas, auxiliadas, atendidas e beneficiadas da forma adequada; os líderes conhecem e compreendem as diferenças entre os indivíduos, sabe que é possível aprender com elas e de que modo convém elogiá-las, criticá-las, orientá-las e lhes transmitir ensinamentos.

O líder deve buscar a desenvolver a capacidade de lidar com os altos e baixos inevitáveis e de manter a mente serena, lúcida e concentrada em todas as circunstâncias, por mais adversas que sejam.

Ao receber um feedback negativo ou em sua atuação em reunião com a equipe deve se perguntar: qual é a motivação de quem está me avaliando dessa forma? Ela é competente para opinar? Sua opinião se justifica? Se a opinião for justificada, haverá algo para aprender, caso contrário manterá sua mente serena e concentrada.

Uma empresa sustentável deve ter como valor entre seus lideres e liderados o conceito de celebrar os acontecimentos alegres, mas sem um apego excessivo a seu significado, seja no presente ou como preditor do futuro, deve-se ter em mente as pessoas que te ajudaram e não deixar se corromper pela necessidade de fama e ambições desenfreadas.

Um gestor não pode se aproximar apenas daqueles que concorda com a opinião ou daquele que tem medo de dizer o que pensa, é preciso ouvir a todos, sem julgamentos, buscando a evitar a classificação instantânea e tomar melhores decisões.

Para isso devem-se fazer as seguintes perguntas diante de um problema: qual é a realidade? Ela constitui um problema? Qual é a causa do problema? O que quer alcançar? Como posso atingir o objetivo?

O Objetivo da empresa é construir uma equipe de pessoas bem-sucedidas, com o moral elevado, boas atitudes e boa-fé. O lucro é apenas o resultado final, não o propósito da empresa.

A geração de riqueza é importante para humanidade, pois os resultados beneficiam a si e aos outros. A miséria leva a disseminação de imoralidades e ao crime. Por isso, são boas e dignas de louvor as pessoas que buscam a riqueza por caminhos corretos e a utilizam para o bem e a felicidade delas mesmos e dos outros.

Para budismo há 03 grupos de pessoas: as cegas (almejam riqueza, mas não tem visão que lhes permita saber quais ações são más ou boas, não importam com essa reprovação); cega de um olho só (tem visão para adquirir riquezas, mas fora isso são idênticas ao cego, querem a todo custo, por meio de atividades ilícitas); a pessoa de dois olhos (é um belo ser humano, que divide uma parte da riqueza obtida por meio de um trabalho diligente.

É preciso ter o discernimento que leva à liberdade espiritual, de que a riqueza pode diminuir ou aumentar por razões que não se pode controlar. Que não é errado fica feliz quando aumenta, mas é errado ficar infeliz quando ela diminui, pois quando alguém fica exageradamente apegado a seus bens, perde a liberdade espiritual e passa a se inquietar com tudo que lhe reduz a fortuna.

Uma empresa ou instituição é uma entidade viva, não uma máquina, ela demonstra uma consciência moral e compartilhada. Elas exibem comportamentos e características, todas aprendem, possui identidade que determina sua coerência, constroem relações com outras entidades, crescem e se desenvolvem.

A complexidade está no fato de que uma empresa nutre consciência moral da rede de consciência das pessoas que a compõem. As organizações influenciam a consciência moral de seus funcionários, tanto para melhor quanto para pior, levando-os a fazer coisas que não fariam por conta própria. Por isso a importância de se ter valores e princípios éticos e morais, e líderes com a visão correta.

As empresas devem ser encaradas como produtoras de felicidade, o que se traduz em promover a "satisfação com a vida" das pessoas. Dentro da empresa, quando cada indivíduo compreende seu papel nós objetivos da organização, ele encontra maior significado em seu trabalho, sua empresa e sua vida; os líderes têm uma enorme influência no bem-estar de seus funcionários.

Entre o maior fator de satisfação no trabalho está a confiança - a confiança está no desejo das pessoas sentirem que têm liberdade suficiente para fazer um bom trabalho, quando não têm essa liberdade e tudo que fazem é inspecionado e controlado, não tardam a ficar insatisfeitos, percebem isso como falta de confiança e de respeito; é importante investir em treinamento e desenvolvimento profissional das pessoas; outra forma de satisfação é o empregador manifestar interesse pelos níveis de tensão e da saúde de seus empregados; os empregados também afirmam ser importante ficar informado sobre a situação da organização, isso eleva a moral, ou quando há problemas, ajuda que todos se empenhem para buscar uma solução.

Para o psicológico Abraham Maslow, a fórmula da felicidade está em satisfazer uma ordem de necessidades, iniciando no nível um até o quinto: necessidades fisiológico-básicas; necessidade de segurança; necessidade de relacionamento; necessidade de estima e respeito; realização profissional ao tornar-se tudo que era possível ser.

Tal teoria despreza o fato que nada é permanente e que tudo é interdependente, sendo que alcançar o quinto nível, pode não trazer a felicidade espetada, à medida que há diversos fatores e sentimentos que se interrelacionam. Por isso, o budismo acredita em alcançar a paz de espírito, pois aí poderá lidar com sabedoria diante das adversidades, melhora a si e ajudando aos outros.

Dinheiro e felicidade, segundo estudos, uma vez alcançados uma melhor condição financeira, em geral, os indivíduos ao invés de buscar satisfazerem os níveis para a felicidade de Maslow, elas buscam um consumo nocivo e satisfação de desejos e do eu. Segundo a professora Ruut Veenhoven, quando as pessoas são pobres a felicidade aumenta com a renda, quando a renda está acima do nível certo a felicidade se mantém constante; e também o dinheiro não é o único fator que interfere na felicidade, pois há ainda, composição genética, familiares, amigos, saúde...

Seguindo as orientações do budismo, toda pessoa pode melhorar seu modo de ser. A confiança é o maior tesouro do homem, devendo as empresas atribuir tarefas aos trabalhadores de acordo com suas aptidões - quando alguém consegue atingir a meta que ela ou outros estabeleceram, a autoconfiança aumenta.

As empresas que se deram conta de que ao dar mais tempo para que seus funcionários passem com sua família, os deixam mais produtivos; ainda, as empresas têm a capacidade de ajudar a gerar satisfação no emprego, ao valorizar a felicidade de seu pessoal.

Exemplo de medidas que podem ajudar: conduzir pesquisas de satisfação na equipe e implementar resoluções; investir em programa de treinamento e desenvolvimento pessoal dos empregados; certificar-se de que os empregados compreendam de que maneira contribuem para o sucesso da organização, fazer com se sintam cientes da sua contribuição e valor; comprometer-se com a geração de riquezas para todos os colaboradores, evitar desequilíbrios na remuneração e recompensar a todos que contribuem para o sucesso; criar declaração de responsabilidade empresarial para serem seguidas na empresa, devendo incluir políticas ambiental que abordem sustentabilidade e responsabilidade sobre os bens materiais da empresa; empenhar-se em publicidades responsáveis e honestas sobre seus produtos e serviços; considerar cuidadosamente qualquer plano de redução de pessoal, ter em mente o bem-estar coletivo; liderar pelo exemplo, demonstrar satisfação com a vida, exibindo uma mente treinada e um estilo de vida equilibrado.

Um conceito legal para a empresa ter é que você deve estar satisfeito com o que tem, mas nunca satisfeito com a quantidade do bem que fez.

Outro tópico importante é negociar com correção.

As boas ações são tão importantes para a empresa quanto para o indivíduo, ou talvez mais, visto que muitas pessoas são afetadas por seus atos.

Daí a importância de uma liderança humilde, justa, virtuosa e engajada no bem-estar de todos. Pois executivos egocêntricos e ostentadores tende a priorizarem seus interesses e prazeres pessoais em detrimento dos interesses da empresa, colaboradores e sociedade. Uma tendência para más ou nocivas ações, como a desonestidade, o que geram falta de credibilidade da imagem da empresa e leva a organização à situação de risco.

Parte desta atitude vem do próprio meio do mundo dos negócios, a excessiva carga de metas e cobrança por resultados, o que leva exploração de práticas especulativas, exploratória e até mesmo fraudulenta, para alcançar o topo.

Grandes empresas provaram o doce veneno de adotarem posturas egocêntricas e imorais em suas gestões, levando a descrédito perante a sociedade e por consequência passando por dificuldades financeiras.

Por isso, o tema cidadania empresarial vem ganhando enfoque, a ideia de que elas devem agir como um membro da sociedade, assim como um cidadão, uma visão importante para um crescimento sustentável. Para Sandy Cutler, deve-se “negociar corretamente, por meio de filosofias internas e compromissos com os clientes. Preferimos perder um negócio a comprometer nossos valores."

Veja exemplo da General Eletric (GE), em 2000, então novato presidente Jeff Immelt, incluiu em sua filosofia a "virtude" para manter a empresa no topo. Um posicionamento de conduta ética e muito treinamento de sustentabilidade e responsabilidade social, do alto escalão aos demais empregados.

Havia uma ambição de ser excelente em tudo, quando de uma reunião com os principais gestores na faixa de 30 a 40 anos da empresa, culminou em um estudo sobre o tema a responsabilidade social da empresa GE.

Foram entrevistados um grande número de companhias, investidores, reguladores e ativistas. O resultado foi muito negativo. De imediato a GE iniciou um programa de treinamento baseado na compreensão das virtudes da empresa; cursos para pessoal; adquiriu e se associou a empresas geradoras de energia sustentável; promoveu auditorias em seus fornecedores para verificar se cumpriam as normas trabalhistas, sanitárias e ambientais; saiu de países que violavam direitos humanos, investiu em fundos e doações para países e causas nobres. Atitudes que a levaram entre as 300 empresas mais sustentáveis de sua categoria.

Virtude refere-se a excelência moral em ação. A GE não apenas está fazendo discursos hipócritas, está tomando providências.

A Shell foi outra empresa que percebeu ao ter que recuar em sua decisão, mesmo com a anuência dos governantes, que se preocupar com a reação da sociedade em geral ao tomar uma atitude é de suma importância para imagem da empresa e para os negócios, ao enfrentar o Greenpeace e a opinião pública em uma divergência sobre o descarte de um tanque de armazenamento de combustível em alto mar. Esse evento levou a empresa ser a primeira a escrever um código de ética e incentivar sua aplicação.

A Shell ainda adotou o princípio do engajamento, ao buscar ouvir organizações externas e ativistas sobre suas decisões, num diálogo construtivo. O engajamento adota uma visão ponderada da situação e determina se ela requer um tratamento cuidadoso. Independente de onde venha a liderança, o bem-estar da sociedade deve vir em primeiro lugar.

Quando falamos em cidadania empresarial estamos nos referindo a esses conceitos, valores éticos e morais que são exigidos de cidadãos comuns aplicados dentro da gestão da empresa e em seus atos, é afastar aquela ideia enraizada de que a empresa não tem vida, que seu objetivo é o lucro e que os empregados são apenas mão-de-obra que impulsionam o lucro, com metas que impedem o empregado de se aprimorar profissionalmente, de manter um tempo saudável com sua família, que acabam colocando os valores do empregado em xeque e levando a tomar decisões que não tomaria par atingir as metas, aumentando os riscos de prejudicar a imagem da empresa perante clientes, fornecedores, colaboradores e sociedade.

Por isso, fazer um planejamento de integridade na empresa e implementá-lo de forma eficaz, acompanhando e atualizando constantemente é um forma de reduzir os risco da atividade empresarial com ações e demandas judiciais que somente desgastam e geram prejuízos.

Manter um canal de denúncias imparcial e processos apuratórios justos, com possibilidade anonimato, sigilosos e sem retaliação, permitem que a empresa descubra e antecipe problemas de integridade de seus membros ou falhas internas que podem ser corrigidas.

Parte dos problemas que algumas empresas de pequeno porte e microempresários enfrentam são fruto de falta de investimento em profissionais da área de programas de integridades (compliance), prejuízos financeiros que poderiam ser evitados por meio de uma conduta correta e meios preventivos para reduzir o risco da atividade.

Caso tenha interesse em saber mais sobre este tema entre em contato com nosso escritório, contamos com planos de compliance para microempresários e empresas de pequeno porte, de forma a avaliar os riscos existentes na empresa por meio de análise de contratos, relações de trabalho, ambiente de trabalho, estrutura e suporte da empresa, condutas almejadas e canais para denúncias sistemas internos disciplinares e regimentos internam.


O presente artigo não é sobre direito ou compliance, mas sim sobre pessoas, valores e princípios a serem almejados, os quais se implantados na sua empresa ou no seu dia a dia, elevará o seu valor e confiança.
O texto foi baseado no Livro "Liderança para um Mundo Melhor" - Dalai Lama e Laurens Muyzenberg.



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